BOAS VINDAS E EXPLICAÇÕES

TEMPORARIAMENTE FORA DO AR!!!!

Primeiramente....bem vindos ao blog , espero colaborar um pouquinho com a divulgação desse meio maravilhoso que é o dos musicais! As atualizações estão muito difíceis por causa da tremenda falta de tempo que eu tenho ultimamente, espero que logo mais eu possa me empenhar mais aqui no blog! Deixem seus comentários, eu faço de tudo para respondê-los mesmo que demore e os respondo nos próprios comentários!se tiver correções tbm mande...mas eu naum sei qdo vou poder corrigir!! Se você tiver novidades também me procure (POR FAVOR) porque assim fica mais fácil quando eu tiver tempo para vir por aqui!
Desde já agradeço a todos!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Arena conta Tiradentes





Peça concebida no sistema coringa, abordando a vida de Tiradentes, constitui-se no auge da fase dos musicais do Teatro de Arena e de sua inserção político mobilizatória.
Após o grande sucesso de
Arena Conta Zumbi, o Teatro de Arena lança-se sobre outro movimento histórico centrado na luta nacional: a Inconfidência Mineira. Tomando Tiradentes como o protótipo do herói revolucionário, este texto de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri expande e intensifica os procedimentos em torno do sistema coringa, quando é verdadeiramente teorizado pelos autores.
No enredo, a Inconfidência é vista pelo ângulo dos acontecimentos dos anos 60; ou seja, não há o objetivo de retratar figuras ou episódios em sua veracidade histórica. Através de alguns deslizamentos de sentido ou aproximações um pouco forçadas, a história é refeita para enquadrar fatos, tipos e personagens relativas ao movimento anterior e posterior a 1964. Do ponto de vista estilístico, o coringa alterna um procedimento realista e stanislavskiano para configurar o herói, Tiradentes, e um procedimento distanciado ou brechtiano para as demais figuras. Pensa-se, desse modo, equacionar a recepção da montagem em duas frentes: criando uma empatia com a personagem que deve despertar o entusiasmo revolucionário e uma perspectiva crítica sobre as demais.
Considerada uma revolução malograda porque obra de intelectuais distantes do povo, a Inconfidência do Arena aposta tudo na adesão empática em prol da luta armada. O espetáculo torna-se o grande representante da chamada "linha de pé", conclamações explícitas dos espectadores a resistirem à ditadura.
Guarnieri vive o Coringa, importante figura em cena, uma vez que lhe cabe interpretar os fatos, associá-los a pessoas, fazer prosseguir ou retroagir certas cenas, sempre com o intuito de explicar os acontecimentos. David José vive Tiradentes, imprimindo força e vigor ao desempenho. Os demais integrantes do elenco dividem-se numa multiplicidade de figuras, necessárias para compor os quadros em que a peça se estrutura.
A música é um elemento de importância na encenação, ocupando não apenas a função de ligação entre cenas como, notavelmente, carreando o fluxo emocional. O refrão "de pé, povo levanta na hora da decisão" pontua toda a montagem, que tem a direção musical de Theo de Barros. Igualmente indispensável é o trabalho de
Flávio Império, cenógrafo e figurinista, responsável pela unidade visual e criação dos diversos signos que identificam as figuras, norteando a leitura da platéia quando a mesma personagem é interpretada por um ator diferente.
Em penetrantes ensaios, o crítico e estudioso
Anatol Rosenfeld discute longamente as propostas levantadas em torno do sistema coringa: "É preciso salientar a contradição manifesta na tentativa de apresentar um herói mítico de forma naturalista. Se, graças ao esforço de David José, apesar de ele cantar, se obtiverem efeitos, aproximados de realismo, houve precisamente nisso certo desacordo com o empenho dos autores em mitizar o herói. O mito não permite o naturalismo, nem tampouco a proximidade da arena que revela em demasia a materialidade empírica do ator como ator. Nenhum arquétipo resiste ao fato de se poder vê-lo transpirando e tocá-lo com a mão."E, destacando certo descompasso entre a proposta teórica e sua materialização cênica, considerada de melhor qualidade, conclui Anatol: "A peça, neste ponto resiste galhardamente à teoria. Funciona, apesar dela (o que por vezes ocorre também no caso de Brecht)".1
Como fato artístico, contudo, a montagem inspira ao crítico
Sábato Magaldi certas restrições: "O cansaço maior do sistema decorre, talvez, do abuso da música. A intromissão musical procede de um fundamento teórico defensável e o desagrado deve nascer de alguma particularidade, não generalizável para o público. Entretanto, toda vez que a cantoria começa, é difícil sofrear a irritação. Em Zumbi o mérito das composições se impunha, mas a debilidade e a insistência da música de Tiradentes desservia o texto, submergindo-o quase, em muitas passagens. Ademais, se Boal é um bom teórico da encenação, não atinge em Tiradentes o mesmo nível como realizador, caricaturando às vezes grosseiramente o que ele e Guarnieri escreveram".2
Notas
1. ROSENFELD, Anatol. O mito e o herói no moderno teatro brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 1996. 2. MAGALDI, Sábato. Um palco brasileiro: o Arena de São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1984. p. 80.

Fonte:Itau Cultural


Autoria:Augusto Boal/Gianfrancesco Guarnieri


Cenografia:Flávio Império


Direção:Augusto Boal


Direção musical:Théo de Barros


Elenco:


Antonio Fagundes


Célia Helena


Cláudio PucciPersonagem:


David José


Dina Sfat


Gianfrancesco GuarnieriPersonagem


Jairo Arco e Flecha


Renato


Trilha sonora:


Caetano Veloso


Gilberto Gil


Sidney Miller


Théo de Barros

2 comentários:

Hermes disse...

Os nomes dos atores Dina Sfat e Jairo Arco e Flecha estão incompletos...

Teatro Musical no Brasil disse...

obrigada pela correção dos nomes